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Tempo Extra com Daniel Gordo Rios!

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Daniel Gordo Rios, treinador espanhol, é o novo convidado nesta nova edição da rúbrica “Tempo Extra”.

O atual treinador do BM NAVA, onde atuam dois portugueses, Álvaro Rodrigues e Miguel Baptista, tem como seu adjunto o, também português, Nuno Farelo.

Nesta conversa, Daniel falou da sua experiência em Espanha e um pouco do seu conhecimento sobre o andebol português. O espanhol fez o seu curso de Master Coach em Portugal, conhecendo por isso alguns treinadores portugueses e o seu trabalho.

escrito por Maria Ema Bastos

No final desta rúbrica poderás deixar as tuas questões ou comentários na caixinha de comentários que o Daniel Gordo estará aqui para te responder!

7M: Qual a maior diferença entre a Liga Asobal e o campeonato português?

DG: Há menos de uma década, a Liga Asobal era uma das melhores ligas do mundo, senão a melhor. Houve alguns anos de quebra, devido à crise económica vivida no país. Agora estava a atravessar um bom momento.

Os clubes têm equipas profissionais, com um bom fluxo de público e um número de seguidores na media que nos faz pensar que o andebol está em fase de recuperação. Talvez a chave seja que se trata de uma liga competitiva e aberta, excepto por uma equipa com a qual não se pode lutar por motivos orçamentais, recursos e equipa. O resto dos jogos são altamente competitivos.

O cenário que podemos encontrar após a crise do Covid-19 é desconhecido, embora os diferentes níveis do andebol espanhol certamente trabalharão duro para que o nosso desporto continue a obter sucesso.

7M: Como caracterizas o treinador português?

DG: Basicamente, a nível técnico, entendo que o português é um treinador que é muito intenso, que parte sempre do gosto pelo jogo rápido e de uma boa defesa. Os jogadores portugueses permitem ter um reportório amplo devido às suas condições tanto físicas como antropométricas, mas sobretudo entendo que o jogo português é um jogo rápido, que é duro a nível defensivo e, que a nível ofensivo creio que os treinadores procuram exprimir as qualidades físicas que têm os jogadores portugueses que é a maior diferença para os jogadores espanhóis.

Atualmente uma característica do andebol português é o 7×6 que se vê tanto no FC Porto como na Seleção Nacional,  é algo que diferencia o andebol português dos demais. É uma abordagem ofensiva adaptativa, uma proposta inteligente que tenta explorar as qualidades individuais dos jogadores.

7M: Como podemos descrever a cultura andebolística em Espanha?

DG: A cultura andebolística é muito semelhante à que se vive em Portugal. Não é o desporto rei, mas tem um lugar no Top5 dos desportos seguidos no país. Não surpreende que já tenhamos vencido tudo, exceto alguns Jogos Olímpicos internacionalmente, em termos de equipas e seleções.

Talvez algo que acontece em Portugal seja bom para o nosso desporto: ter secções de andebol noutros clubes de futebol. A criação do andebol no Real Madrid, ou o retorno do Atlético de Madrid, seria um evento fundamental nos media para o andebol. A existência desses derbys melhoraria o produto, além de aumentar o número de patrocinadores, adeptos e seguidores.

7M: Qual é a média orçamental de uma equipa da asobal?

DG: Desconheço os dados exatos, mas posso garantir que as equipas da Asobal e a maioria das equipas da División Honor Plata, 2ª divisão espanhola, são profissionais. Obviamente que os salários não são os mesmos que antes, mas estavam a permitir que o nosso desporto crescesse e adotasse medidas de maneira sustentável.

7M: Qual a importância de todos os jogos da Liga Asobal terem transmissão em direto?

DG: O facto do nosso desporto ser transmitido através da televisão é um grande impulso para a sua divulgação e para conquistar mais adeptos. No meu clube, BM NAVA, a televisão não tem qualquer impacto negativo pois todos os jogos têm lotação esgotada.

7M: Quando retiramos o FC Barcelona da tabela classificativa reparamos que a diferença pontual entre as restantes equipas não é muito significativa. Quais as vantagens de estar numa liga tão competitiva?

DG: A grande vantagem é que todas as equipas, com essa exceção, podem competir em pé de igualdade. Há muitos confrontos bastante atraentes, com equipas históricas da Liga Asobal, como Ademar Léon, BM Granollers, Bidasoa, etc. A regularidade prevalece na Liga Asobal, desde os lugares com acesso às competições europeias aos de despromoção, as equipas estão muito próximas. É essencial que a equipa mantenha o seu nível de condição física ao longo do tempo.

7M: Na preparação da tua equipa, como é um Microciclo tipo em período de competição?

DG: Segunda-feira costuma ser mais um dia de recuperação ou de trabalhar no vídeo do jogo, embora também gostemos de apresentar a semana com as características mais evidentes da equipa com a qual jogaremos no fim de semana.

Terça-feira de manhã, nalgumas semanas na segunda-feira, fazemos um trabalho técnico-tático individual com um grupo específico de jogadores. À tarde trabalhamos para preparar a nossa defesa, com um preview do vídeo do adversário.

À quarta-feira à tarde fazemos um intervalo, mas de manhã agendamos uma sessão física com algum complemento técnino-tático individual.

Quinta-feira à tarde trabalhamos para preparar o nosso ataque, novamente com um preview do vídeo do adversário.

Sexta-feira treinamos as assimetrias, tomadas de decisão e algum conteúdo específico. A isto ainda adicionamos o trabalho físico específico, prescrito pelo preparador físico.

7M: Qual a importância do treino mental e comportamental?

DG: Sempre foi importante. No entanto, atualmente existem muitas informações e tendências específicas que procuram otimizar a saúde física do atleta através do bem-estar mental e, assim, permitir o seu melhor desempenho. As diferentes propostas fornecem ao atleta recursos psicológicos que o ajudam a enfrentar diferentes situações experenciadas no alto nível (gestão da pressão e concentração, controlo das expectativas, orientação motivacional, etc.). Na minha opinião, é bom ter um profissional na equipa que possa trabalhar este aspeto, com o objetivo de controlar os diferentes estados emocionais da equipa.

7M: Existe diferença na preparação de um jogo contra o FC Barcelona?

DG: O dia em que se joga contra o FC Barcelona é um dia de festa, é um dia marcado por todos no calendário, jogamos contra alguns dos melhores jogadores do mundo, contra algumas referências como Raúl Entrerrios, Gonzalo Pérez de Vargas, Aron Pálmarsson…

Como preparação, gosto de definir pequenos objetivos alcançáveis para melhoria individual ou coletiva num aspeto ou fase do jogo. Obviamente sem desistir de nada, mas não é menos verdade que as possibilidades nesse sentido são mínimas.

7M: Qual a tua opinião pessoal sobre o alargamento da liga previsto para a próxima época?

DG: Estamos a passar por uma situação extraordinária e, por isso, estão a ser propostas soluções extraordinárias. A medida da Federação tenta ser o mais justa possível, por mais injusto que seja fazer uma classificação com promoções e descidas sem ter terminado a competição, de acordo com o ponto de vista deles, e precisamos de nos adaptar. O importante para mim é que no próximo ano possamos competir, de qualquer maneira.

Esta foi a nossa conversa com o treinador Daniel Gordo Rios. O treinador espanhol estará por aqui para responder às vossas questões durante este Tempo Extra!

Mãos ao teclado.

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Ema Bastos

Treinadora de andebol e licenciada em Marketing, Ema pertence à equipa da 7Metros desde fevereiro de 2018, onde é Diretora de Marketing e Comunicação e Responsável pela Equipa de Design. O andebol é a sua grande paixão e, juntamente com a 7Metros, tem como objetivo fazer crescer a nossa modalidade em Portugal.