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M20 EHF Euro 2022: Espanha marca encontro com Portugal

SRB x ESP, em Matosinhos, no Centro de Desportos e Congressos de Matosinhos

Num dos dias decisivos do M20 EHF Euro 2022, Portugal e Espanha garantiram o apuramento para a final, enquanto Sérvia e Suécia disputam a medalha de bronze.

escrito por João Perfeito e Diogo Gonçalves

Meias-finais

Final de loucos confirma fado português

As duas equipas entraram bem na partida, demonstrando, desde cedo, a vontade de discutir o resultado até ao fim tendo sempre a final em mente

Aos oito minutos o selecionador sueco pediu um desconto de tempo após um parcial de 4-0 a favor dos portugueses. A paragem não sofreu grande efeito, e o equilíbrio permaneceu atá ao final do primeiro tempo e no começo da segunda parte, com Portugal a permanecer na liderança e sem as equipas estarem separadas por mais de dois golos

Aos 45 minutos a Suécia conseguiu igualar o resultado, obrigando o selecionador nacional de Portugal, Carlos Martingo, a pedir um desconto de tempo, para organizar as ideias da sua equipa e quebrar o ritmo da formação sueca, que crescia a olhos vistos.

A discussão do jogo ficou adiada para o último minuto da partida. Diogo Rêma Marques, MVP do lado português com 13 paradas e 37% de eficácia, fez uma incrível defesa a um remate aos seis metros, dando a última posse de bola do jogo à armada lusa.

Com a emoção dentro e fora de campo ao rubro, o ataque luso conseguiu que a bola chegasse ao pivot, Ricardo Brandão, que sofreu falta no momento do remate. A dupla de arbitragem assinalou livre de sete metros e Francisco Costa, que minutos antes falhara um lance semelhante, rematou a contar e colocou a equipa das quinas na final da prova

Foto: Federação de Andebol de Portugal

Superioridade espanhola afasta Sérvia da final

Nas meias-finais Portugal selou a qualificação para a final ao vencer a Suécia por 25-24, enquanto a Espanha derrotou a Sérvia por 32-29.

Será a primeira vez no escalão de sub-20  que os dois países da península ibérica discutiram entre si o cetro europeu. Em toda a história de europeus em categorias jovens será a 2ª vez que isso acontece. Pois em 1994, ano em que a EHF escolheu Portugal para ser o primeiro país a receber um europeu sénior, no escalão de sub-18 a Espanha derrotou Portugal por 16-15 na final da prova.

Na primeira meia-final a Espanha entrou a todo o gás e aos 11 minutos já vencia por 7-1. Até aos 23 minutos o jogo foi equilibrado e a Espanha vencia por 12-5. O conjunto Sérvio marcou nos últimos 6 minutos os mesmos golos que nos primeiros 24 o que permitiu reduzir a diferença para os 15-10 com que findou a primeira parte.

A formação balcânica apesar de 2 golos no primeiro minuto voltou a entrar mal na 2ª parte e aos 38 minutos já perdia por 21-13. Mas 11 golos em 10 minutos permitiram encurtar a diferença para 27-24 na entrada dos últimos 12 minutos. As duas suspensões da equipa no minuto 55 deitaram por terra qualquer esperança de reviravolta. A Espanha limitou-se a gerir o resultado e venceu por 32-29.

Antonio Llamazares, jogador destacado pela EHF no início do torneio com 6 golos em 8 remates e Aregay com 6 golos em 10 foram os melhores marcadores de “nuestros hermanos”. Com 5 golos de 7 metros, 3 na ponta, uma eficácia de 67% aos 6 metros (16/24) e de 53% aos 9 metros (8/15) a Espanha voltou a revelar uma grande variabilidade na finalização, característica fundamental que lhe valeu o passaporte para a final.

Do lado da Sérvia Milos Kos com 9 golos em 15 remates foi o artilheiro de serviço. Aos 6 metros a equipa concretizou 15 golos em 23 tentativas. Os 11 golos em 24 tentativas aos 9 metros foram insuficientes, uma vez que a equipa só marcou 3 golos na ponta e não conquistou nenhum livre de 7 metros.

Foto: Federação de Andebol de Portugal

5.º a 8.º lugar

Hungria ultrapassa oposição germânica

A Hungria venceu a Alemanha por 35-32 e a França derrotou a Dinamarca por 27-25. Os 4ºs classificados de cada um dos grupos da Fase Principal conseguiram derrotar o 3º do outro grupo, garantindo desta forma o acesso ao jogo que definirá o 5º e 6º lugar do europeu. Já germânicos e escandinavos com estas duas derrotas vêm-se relegados pela luta pelo 7º lugar.

No jogo inaugural, a Hungria entrou a todo o gás e aos 12 minutos já vencia por 10-6. A Alemanha respondeu com quatro golos em três minutos e o jogo manteve-se equilibrado, pelo que chegou aos 26 minutos com uma igualdade a 15. Nos derradeiros quatro minutos, a formação magiar fez um parcial de 4-1 e foi para os balneários a vencer por 19-16.

O conjunto germânico, dos 33 aos 42 minutos, conseguiu marcar por sete vezes, pelo que nova igualdade a 24 bolas dava uma tremenda emoção ao jogo. Até à entrada dos últimos 6 minutos o jogo foi de parada e resposta, registando-se um empate a 29

Contudo, em 50 segundos a Alemanha deitou tudo a perder. Começou por Orlov falhar um remate e, de seguida, um cartão amarelo e uma exclusão limitaram a equipa numa fase crucial do desafio. Em pouco mais de 90 segundos, os magiares cavaram três golos de diferença (32-29). Até ao final não se registaram mais diferenças no marcador e a Hungria confirmou a vitória por 35-32.

A Hungria voltou a ter uma tremenda eficácia aos seis metros como já o tinha demonstrado em anteriores jogos com 26 golos em 29 remates! Os seis golos em 10 tentativas pela ponta também contribuíram para que a paupérrima eficácia de 12,5% aos nove metros (2/16) e zero golos de livres de sete metros, não comprometessem a vitória. Tamas Papp, com sete golos em oito remates, todos aos seis metros, e Péter Lukacs, com sete golos em 11 tenativas, foram os artilheiros magiares. Os guarda-redes apenas tiveram 16% de eficácia, algo compensado pelos 35 golos marcados.

Do lado alemão os 75% de eficácia aos seis metros (18 golos em 24), 100% aos pontas (5/5) e o quádruplo da eficácia aos nove metros que o adversário (50%) com sete golos em 14 remates contribuíram para uns extraordinários 71% de eficácia. Os 26% de eficácia  do guarda-redes Mats Grupe fui superior aos seus colegas de posto magiares. Contudo a equipa germânica efetuou apenas 45 remates, menos 13(!) que o adversário e por essa razão não conseguiu atingir a vitória.

Foto: Federação de Andebol de Portugal

“Les Bleus” marcam encontro com a Hungria

No confronto entre os finalistas das últimas duas edições dos Jogos Olímpicos, no escalão sénior, a França começou melhor e aos 10 minutos já vencia por 6-3. O conjunto gaulês não conseguiu dilatar a vantagem e permitiu à formação nórdica reagir e reduzir para os 12-11 que findaram o primeiro tempo.

Na etapa complementar a França voltou a entrar bem e regressou aos três golos de vantagem aos 35 minutos (17-14). Os escandinavos responderam com um parcial de 6-0 nos oito minutos seguintes e chegaram à vantagem por 20-17

O conjunto dinamarquês marcou apenas quatro golos nos seguintes 12 minutos, pelo que o jogo entrou nos últimos quatro minutos empatado a 24. A formação gaulesa aproveitou a embalagem e passou para a frente por dois golos a pouco mais de dois minutos do final. A Dinamarca ainda reduziu pelo inevitável Arnoldsen, mas um remate precipitado de Mygind ao poste a 20 segundos do final, permitiu à França gerir a posse de bola e aproveitar a defesa homem-a-homem da Dinamarca a todo o campo, para, numa troca de bloqueios, Guéric Vincent selar o 27-25 final.

Pela França, Hugo Pimenta, com seis golos em sete remates, voltou a ser o melhor marcador do conjunto francês. Os 17 golos em 22 tentativas aos seis metros foram determinantes, uma vez que a eficácia aos nove metros (4/11) só por pouco passou os 33%.Do lado dinamarquês, apesar de nove golos entre pontas (cinco) e livres de sete metros (quatro), que tem sido raro alguma equipa fazer, a equipa apenas teve 50% de eficácia aos seis metros (10/20) e pouco mais de 33% aos nove metros (6 em 17). Os 18% de eficácia dos guarda-redes também explicam a derrota.

Foto: Federação de Andebol de Portugal

9.º a 12.º lugar

Eslovénia triunfa em embate apenas decidido no shootout

O equilíbrio pautou os minutos iniciais de uma contenda que decidia que iria disputar o encontro de atribuição do 9.º lugar. A formação islandesa demonstrou algum ascendente e vencia por três golos após os primeiros dez minutos.

A Eslovénia corria atrás do resultado e tentava reagir, mas sempre que se aproximava ou empatava, permitia que a Islândia se afastasse no marcador, toada que se manteve até ao início da segunda parte.

O segundo tempo começou com outro ritmo e os atletas eslovenos passaram para a dianteira do marcador. Os empates e trocas de liderança continuaram até à fase posterior do embate, até que, a dois minutos do fim, a Islândia vence por 32-30.

A formação eslovena não baixou os braços entrou na luta pela vitória com um parcial de 2-0 que levou o embate para shootout. Com a vantagem psicológica do seu lado, a Eslovénia mostrou cabeça fria e conseguiu a vitória.

O esloveno, Nik Cirovic, terminou como o melhor marcador com dez golos marcados, seguido pelo islandês, Andri Mar Runarsson com sete.

Ilhas Faroé garantem lugar no Mundial sub21

O embate entre duas das maiores surpresas do campeonato, a formação das Ilhas Faroé entrou forte e, depois do 1-0 inicial para a Itália, não voltou a estar em desvantagem na partida.  A superioridade do conjunto faroense era clara apesar das contantes investidas italianas, e a diferença no marcador nunca ultrapassou os três golos.

Ao intervalo o marcador assinalava 13-15 para as Ilhas Faroé que, no segundo tempo, continuaram a controlar os ritmos do encontro, sem permitirem grande reação da equipa de Itália. Essa apenas foi possível mais perto do fim, momento em que o cansaço começou a afetar os atletas faroenses.

O triunfo não fugiu ao conjunto do norte da europa, que garantiu o apuramento para o Campeonato do Mundo de sub21 no próximo ano.

Estatisticamente, Hakun West Av Teigum, das Ilhas Faroé, terminou com 11 golos e seis assistências, enquanto Nicola Fadanelli, da Itália, apontou oito golos

13.º ao 16.º lugar

Polónia faz a reviravolta e vence Montenegro 

O M20 EHF EURO 2022 continua desta vez, em Gondomar, onde a seleção da Polónia defrontou Montenegro na luta pela melhor posição entre o 13.º e o 16.º lugar. Os polacos superiorizaram-se no jogo e conseguiram vencer por 30-26.

A equipa do Montenegro entrou melhor na partida e esteve toda a primeira parte a ganhar. No início do jogo apenas com uma vantagem mínima de dois golos, mas a partir dos 15 minutos, essa diferença tornou-se maior com o marcador a registar 6-10. A maior vantagem foi de 6-12, aos 17 minutos, período em que os polacos demonstraram dificuldades no ataque. O jogo chegou ao intervalo com o marcardor a assinalar 14-16, resultado favorável aos montenegrinos.

Na segunda parte foi a vez da Polónia de mostrar as suas qualidades, confirmando a reviravolta no jogo (21-20) ao minuto 44, recuperação que mereceu destaque e que se manteve até ao final do jogo. Com este resultado favorável, os polacos vão disputar o jogo de atribuição do 13.º lugar neste M20 EHF EURO 2022.

Os melhores marcadores do jogo foram Marcel Nowak, da Polónia, e do lado dos montenegrinos, Arsenije Dragasevic, ambos com sete golos.

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Leonardo Bordonhos

Membro da equipa desde 2018, o Leonardo concilia as posições de Diretor de Redação e Redes Sociais da 7Metros. Ganhou o gosto pelo andebol quando começou a praticar a modalidade no Almada AC, e desde então procura fazer crescer o desporto em Portugal. Licenciado e Mestre em jornalismo desportivo, podem acompanhá-lo no Twitter: @leo_bordonhos